junho 07, 2009

Amália Secreta – Reedições entre 1953 e 1958.



No décimo ano da sua partida e no âmbito da Coleção “Arquivos do Fado”, as editoras Tradisom e Farol (Warner Music Portugal) apresenta um novo CD de Amália.

Com o nome de “Amália Secreta” este novo cd recopilatório pretende revelar algumas raras cantigas perdidas no tempo assim como versões raras de Fados editadas em discos de vinil.

Músicas com versos em português do poeta David Mourão-Ferreira de filmes de sucesso da época, cantigas espanholas e rancheras mexicanas dum single da Ducretet-Thompson de 1958, acompanham ao CD com Fados e canções dum desconhecido LP editado na França e no Brasil sem edição em Portugal ,com algumas versões nunca editadas em formato digital, como um maravilhoso “Foi Deus” que se transforma quase numa oração. Finalmente, encontramos nesta selecção três cantigas acompanhadas pela orquestra de Fernando de Carvalho e que foram extraídas dum disco muito especial, que recolhia algumas cantigas dos EP da mesma editora francesa.

Como Produtor do disco e Autor deste blog, quero recomendar este travalho que foi feito com muito carinho e admiração por Amália e fica desta maneira a minha pessoal homenagem a esta Portuguesa que espalhou o Fado no mundo inteiro mudando algumas vidas, como a minha, para sempre.

Ramiro Guiñazú

FICHA TÉCNICA:

COORDENAÇÃO EXECUTIVA

José Moças, João Afonso e Ramiro Guiñazú

ENGENHEIRO DE SOM

José Navia/Audiorestauracion

TEXTOS

Ramiro Guiñazú

TRADUÇÃO

Literal Azul

CONCEPÇÃO GRÁFICA

Ana Cláudia Araújo

PRODUÇÃO

Tradisom Produções Culturais

EDIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO

Farol Música, Lda

Alinhamento:

1. Neblina - Moulin Rouge

LISBOA, Abril 1953

2. Quando A Noite Vem - Limelight (Candilejas)

LISBOA, 1952

3. Vieste Depois

LISBOA, 1952

4. Ai Lisboa

PARIS, 1956

5. Confesso

PARIS, 1956

6. Cuidado Coração

PARIS, 1956

7. Eu Queria Cantar-Te Um Fado

PARIS, 1956

8. Fado Não Sei Quem És

PARIS, 1956

9. Maldição

PARIS, 1956

10. Marcha Da Mouraria

PARIS, 1956

11. Maria Da Cruz

PARIS, 1956

12. Vamos Os Dois Para A Farra

PARIS, 1956

13. Foi Deus

PARIS, 1956

14. Don Triquitraque

PARIS, 1956

15. Grítenme Piedras Del Campo

PARIS, 1958

16. Mi Rita Bonita

PARIS, 1958

17. Tu Recuerdo Y Yo

PARIS, 1958

18. Cantei O Fado

PARIS, 1958

19. Disse Adeus à Casinha

PARIS, 1958

20. Três Ruas

PARIS, 1958



fevereiro 08, 2009

Amália No INA France


Amalia No Mundo quer partilhar com seus leitores um documento maravilhoso que se encontra nos arquivos do “Institut national de l'audiovisuel” da França em cujo site www.ina.fr podem comprar, por apenas uns poucos euros. Tratasse dum excerto do programa “Cinq colonnes à la une” de 1967, onde Amália apressenta o Fado e Lisboa desde a sua própia casa.

Entre os momentos mais bonitos da entrevista podemos ver a Amália, a falar em francês ensaiando na sala da casa da rua de São Bento, depois canta com um grupo de pescadores de Nazaré e um maravilhoso final, cantando em dueto improvisado numa tasca de Lisboa com o Grande Alfredo Duarte “O Marceneiro”

Estas são algumas imagens para não perder.







novembro 19, 2008

Ay, Mourir Pour Toi

Em 1957, na cume do sucesso da Amália na França e inspirado no “Ai, Mouraria” Charles Aznavour compõe uma cantiga especialmente para ela, o “Aïe Mourir Pour Toi”. Segundo o próprio Aznavour, ofereceu esta cantiga para Amália, por que só ela podería interpretar com a força dramatica que esta triste cantiga com ares de fado precisava.

Foi então que em 1958 se editou o EP “amália chante en français” cujo titulo em portugal é “amália canta em francês”, e assim que esta cantiga passou ao repertório da Amália, quase por obrigação, ja que quando ela pisava o palco do Olympia, era o própio Bruno Coquatrix desde os bastidores a dizer: Amália!... Aïe mourir pour toi... s´il vous plaît!

Na altura em que Amália triunfava neste grande palco Parisienne, Dalida começava a sua carreira, e se apressenta no Olympia em 1957 junto com Aznavour e Becáud. Segundo a Dalida, a mirabolante artista de origem Egípcia com ascendência Italiana, foi graças a Amália que ela chegou ao Olympia e entre outras cantigas do seu repertorio como “Barco Negro” de 1955, cantava o “aïe mourir por toi”.

Eis aqui um video onde podemos ver o grande talento destes três artistas cada qual a sua maneira interpreta este “fado parisienne”.


outubro 30, 2008

Lydia Scotty e Uma Casa Portuguesa

Esta artista Argentina esquecida no tempo, nasceu em Buenos Aires e começou sua carreira como vedeta de revista. Em pouco tempo conseguiu conquistar ao publico Americano e Europeio atingindo um grande sucesso em Madrid, Lisboa, Paris ou Montecarlo.

Em 1958 a Companhia espanhola de discos “Montilla” editou um Long-play de 10 polegadas, acompanhada pela prestigiosa Orquestra do Compositor Espanhol Augusto Algueró, que se chamou “Lidia Scotty- Canciones Internacionales” com seu nome errado na capa, aparecem entre outras cantigas, “Uma Casa Portuguesa” que Amália dera a conhecer no mundo inteiro através dos seus discos. O primeiro, em 78 rotações em 1953, mais uma versão no primeiro LP dos EEUU “Fado and Flamenco” em 1954, foram re-editado em discos de diversos países. Existe mais uma gravação dos anos 70 num LP francês que nunca foi editado em Portugal.

Esta cantiga identificou a Amália no mundo inteiro, graças a inocência desta melodia que ela misturava entre fados e folclore, esteve sempre presente nos espetáculos ou discos ao vivo.


Finalmente, um video homenagem a grande Vedeta Argentina que além de ter gravado “Casa Portuguesa” ou “Canção do Mar” atingiu com grande sensibilidade estes sucessos da Amália, confirmando a importância internacional que a “Rainha do Fado” tinha ja nos anos 50.




outubro 20, 2008

Amália e as novas artistas do fado.

Não existe dúvida alguma que Amália Rodrigues abriu novos caminhos no mundo inteiro para os artistas portugueses e ainda hoje graças a sua genialidade a música portuguesa tem um cantinho no basto universo musical. Amália continua a ser uma fonte de inspiração para as novas cantadeiras, a influência da Amália no Fado é tão grande que é quase imposível imagina-lo sem a imagem que ja temos na nossa memoria que Amália construiu através de mais de 50 anos de carreira. A maneira de cantar, os fatos de cena, até suas joias configuram hoje em dia o estereótipo duma Fadista.

Vejam a seguir este video, que tem a intenção de mostrar como até os gestos mais simples da sua “complexa simplicidade” são atingidos, de alguma maneira, pelos novos artistas.

Agradecimentos:
Bruno de Almeida- Arco Films.
Tiago- Canal de maxview444.
Reportágem CRTVG Companía de Radio Televisión de Galicia.


outubro 07, 2008

Sangue Toureiro. Faz 50 anos restaurado em DVD


















Cinquenta anos após a estreia no Cinema Condes, no dia 7 de Março de 1958, com distribuição de Exclusivos Triunfo, saiu agora em DVD, em cópia restaurada, Sangue Toureiro, "o primeiro filme português colorido", como se lia no cartaz original, em que cada letra da palavra "colorido" tinha uma cor diferente.

Sangue Toureiro investiu na inovação da cor, e principalmente em Amália e Diamantino Viseu, ambos no pico da popularidade, ela no fado e ele nos touros, para chamar os espectadores às salas.

Para os papéis secundários, o produtor Manuel Queiroz e o realizador Augusto Fraga, que aqui se estreava na ficção após ter feito uma série de documentários, foram buscar nomes consagrados como Erico Braga e Josefina Silva; e novos talentos, como Carmen Mendes, Paulo Renato, Fernanda Borsatti e Raul Solnado.

Diamantino Viseu interpreta Eduardo de Vinhais, o filho de um rico lavrador ecriador de touros do Ribatejo, e antigo cavaleiro tauromáquico. Eduardo não quer administrar as propriedades da família, nem casar-se com Isabel (Carmen Mendes), sua namorada de infância e vizinha. Conhece então Maria de Graça (Amália), uma fadista de Lisboa com a qual passa a viver, e torna-se matador de touros. Depois de algumas peripécias, a respeitabilidade acaba por triunfar sobre a vida boémia e o apelo do redondel.

Frederico Valério compôs propositadamente seis fados para Amália cantar em Sangue Toureiro, nesta primeira longa-metragem de ficção a cores: É Pecado; Sangue Toureiro; Amor Sou Tua; Samba! Samba!; Um Só Amor e Que Deus Me Perdoe.

Mesmo os versos destas cantigas não foram do total agrado da Amália, alguma delas ficaram por muitos anos no seu repertório. É uma boa oportunidade para ver uma peça que ja é parte da história do cinema português.

Fonte: DN-online

9 Anos sem Amália

outubro 06, 2007

8 Anos de Saudade.

Vamos recordar a Amália neste oitavo ano da sua partida com uma homenagem feita por um artista muito especial. Tratasse de Jef Aérosol, um artista francês que pertence a geração “Street Art” dos anos 80. Sua obra se encontra nas ruas de cidades como Paris, Lille, Chicago, London ou Veneza e agora também em Lisboa aparece esta imagem da Amália demostrando mais uma vez a crescente transformação da sua imagem num ícone internacional.


Lisboa- Lille



setembro 30, 2007

Amália em Paris 1967.

Após de se apressentar no Festival Mundial da Música Ligeira em Cannes, Amália parte a Paris no mês de maio para o “Olympia” nas “Olympiades Du Music-Hall” e fazer parte da Grand Gala du Music-Hall Portugais. Dez anos depois do grande sucesso neste palco, Paris ja era parte da cotidianeidade da vida profissional da artista.
No mesmo ano em que fora editado um dos seus melhores discos “Amália 67” ou “Maldição” Amália ja era uma Artista Internacional, em Hollywood com o Kostelanetz ou Bruno Coquatrix em Paris, Amália Rodrigues era dos nomes que brilhavan nos catazes dos principais teatros do mundo.
Nessa altura aparece publicada na revista “Plateia” uma reportagem de Magê: “Descobri Amália” onde ela relata aquele encontro na “Cidade Luz”:
- Tive de ir a Paris a descobrir Amália. Esta a conclusão que cheguei depois de quasse vinte anos de vida jornalística acompanhando a espantosa carreira da Rainha do Fado sem nunca ter escrito sobre ela uma linha sequer! Tentei-o por duas vezes, ja la vão quinze anos, mas como ela nao compareceu às entrevistas marcadas, desistí. Nunca mais a procurei ou falei com ela... Julgava-a uma mulher fria, demasiado autoritária, enfim, uma “vedeta” com os seus caprichos, como é uso e costume quando se atinge a craveira de Amália.
Devo confessar que mudei totalmente de ideias ao encontrá-la nos bastidores no final do espetáculo do “Olympia”, em que ela defendeu brilhantemente a participação de Portugal nas Olimpiadas Musicais que o Bruno Coquatrix deu início na sua famosa sala.
Ela dava autógrafos a toda gente, desde polícias até a estudantes do liceu, e eu aproveitei a oportunidade para solicitar uma entrevista, contando ou com uma negativa, ou com em enconro que nao chegaría a consumar-se.
Pois, Milagre! Amália prometeu e compriu. Quando cheguei ao seu hotel, ainda ela estava deitada, e com razão, por que, após o espectáculo fora comer chucruta até ás quatro da manhã...
Não obstante, pôs-se rápidamente de pé, e arranjou-se num instante.
A minha primeira impressão ao vê-la sem pintura e logo a manhã, foi de uma mulher jovem, fresca, atraente. Os cabelos cortados, como últimamente passou a usar, dão-lhe um ar gaiato e muito gracioso. A sua pele tem uma cor bronzeada, e o seu corpo mantém uma elegância apreciável (com 1 metro e 58 centímetros de altura, o seu peso não vai alem dos 55 quilos)
Amália não conhece o emprego de cintas e tem a sorte de comer à vontade sem medo de engordar...
Falando em Paris com um entusiasmo de adolescente, disse-me: - Adoro Paris e tudo quanto vejo por toda parte. Gostaría de comprar tantas coisas ,que tal ves por isso, nunca compro nada...
É paradoxal, mas se Amália o afirma, é assim mesmo... Ela fala com uma simplicidade total, uma naturalidade que me surpreende numa mulher tão habituada, e ao longo de mais de vinte e cinco anos, à palavra êxito em numerosas línguas.
Numa pausa do meu encontro com Amália, perguntei a seu marido, que assistiu a toda entrevista, se gostava das mulheres francesas... Resposta pronta: - Olho para todas... Voltei-me Amália e indaguei: - Que pensa desta reacção do seu Marido? – Acredite, Magê, não tenho ciúmes... E, pelo meu lado, não olho para nenhum francês...
Francamente Amália é uma excepção em tudo!...

Na fotografía:
Em Paris nunca se sabe o que o céu vai trazer... Trouxe dois guarda-chuvas, um para o día e o outro para a noite...